O inverno já passou! Com certeza é a estação que mais amo! Casacos, calças, brincar com as cores na hora de usar um blazer, sobreposições. E junto com tudo isso vem à vontade louca, de quem ama moda e tendências, de ter uma bota estilo “açougueiro” do momento.

Diversas influenciadoras postando looks perfeitos, com a tal bota e em todo “feed” de uma blogueira que se preze, lá estava ela, presente. Então lá fui eu, procurar a minha. Pesquisa em um, dois, três sites e nada...

Mas Maria, essa bota vende a cada esquina, em todo site! Não comprou a sua?

Não, não comprei a minha.

E por quê?

Por ser uma pessoa gorda!

Sim! Esse é mais um texto falando sobre padrão de beleza, mas continua lendo aqui, porque precisamos sim, falar cada dia mais sobre isso. Cansa né? Acordar todos os dias, se olhar no espelho e pensar “CARACA! Quem é essa gata?” Mas dois minutos depois você abre o Instagram, e vê a roupa que você quer comprar não ter o seu tamanho, o biquíni que você tanto queria para tirar aquelas fotos lindas nos dias de praia, não dá para usar porque mal tapam o que deveriam tampar e pasmem, a bota que você tanto quer, para montar os looks mais ousados, não cabe na sua perna! 

Esse é o dia a dia das pessoas gordas no nosso mundo da moda. A gente se esforça ao máximo para entrar nas tendências, para acompanhar o mundo, mas será que o mundo quer a nossa companhia?

É fácil falar que precisamos nos aceitar, é fácil fazer uma calça jeans tamanho 50. Mas e os bancos dos ônibus? As cadeiras dos bares? E a bota? Sim, esse texto é mais sobre um desabafo do que sobre soluções, porque precisamos que o mundo saiba do nosso “problema”. 

Não estamos doentes, isso tem solução. Mas e os problemas psicológicos? Sim, eles podem ser causados daí, e a gente também não quer ver mais ninguém mal, não é? Por coisas que tem solução. E a solução é simples!

Sociedade patriarcal, mundo da moda, aceitem nossos corpos! Aceitem nossas celulites, nossas cicatrizes, estrias, barrigas que dobram quando sentamos, nossas diferenças! Mulheres magras: parem de falar que vocês estão gordas, que estão feias. Não se recusem a comprar uma calça porque ela é 42 e não 38. Temos que nos apoiar, nos defender e aceitarmos umas às outras!

Espero ter plantado uma sementinha boa em você com essas palavras, e que você possa nos ajudar a destruir os padrões e as diferenças para vivermos em liberdade com nossos corpos. AH! E no próximo inverno vou continuar em busca da bota que caiba na minha perna e, com certeza, não vou emagrecer para entrar nas que já existem!

E você? Conseguiu encontrar a sua bota perfeita neste último inverno? Me conta nos comentários.

Maria Luiza Araujo Souza.

@marialsouza

6 comentários

  • Vanessa Fiorentini em

    Adorei a dica de filmes. Continuem nos dando. Hoje memso já irei assistir um dos três.
    Bj

  • Larissa em

    Adorei o texto 💖

  • Gabriela em

    Conteúdo de muita relevância! Os padrões passam por ciclos, mas nunca chega a vez das “pessoas reais”. Cada vez mais são impostos padrões frutos de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. Padrões que só a minoria atinge. E a mulher da vida real, como que fica? Se comparando. Se culpando. Se diminuindo. Se questionando por que ela não é assim. Esse debate merece e precisa ser levantado constantemente!

  • Camila em

    Necessário falarmos sobre isso! Arrasou 🙌🏻

  • Ana Paula Ambrósio em

    Ah como entendo seu texto!
    Quantas vezes cheguei em casa e chorei pois saia pra comprar roupa, sapato que queria e voltava sem ele, não por opção minha, mas pq o mercado da moda segue um padrão que não era o meu.
    Este padrão precisa ser derrubado, o mercado da moda tem que atender igualmente a todos, sem distinção e este assunto, merece ser amplamente debatido!
    Viva a diversidade de corpos!

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